Pornografia: o que essa indústria não te contou

Destaque, Notícias - Publicado quarta-feira, 4 de agosto de 2021 ás 11:49:52

Por: Quiosa Evaristo e Zacarias dos Santos

Fonte: Divisão Sul-americana

Os prejuízos físicos, psicológicos, sociais e espirituais por trás da ilusão do prazer

É possível se livrar do vício em pornografia?

Sim. Como qualquer outro vício, a “desintoxicação” é um processo lento e difícil, mas totalmente possível.

Quais são os passos a seguir para deixar esse vício?

Reconhecê-lo é o primeiro passo. E [acima] eu já listei os sintomas do vício. Só podemos transformar algo em nós quando reconhecemos a necessidade de mudança.

Outro passo é saber identificar os gatilhos mentais que levam ao consumo da pornografia. Pode ser a frustração, estresse, raiva, rejeição… Situações com as quais a pessoa não sabe lidar, então vai em busca de algo que substitua essa sensação ruim por prazer. Então é preciso mapear esses gatilhos.

Ela também deve substituir o hábito por outras atividades prazerosas, como a atividade física, a leitura de um livro… A pessoa pode pensar: “o que eu gostava de fazer que acabei substituindo pela pornografia?” E retomar isso.

Outro passo: compartilhar a situação com alguém de confiança. Quando outra pessoa sabe da fraqueza, ela pode ser um apoio no processo de cura. Juntas, podem desenvolver estratégias para evitar os gatilhos e as situações propícias à prática. É importante lembrar que essa pessoa será apenas um apoio, e nunca a responsável pela libertação do vício.

Em muitos casos, será necessária ajuda profissional, como a de um psicólogo. Também existem órgãos e ministérios de apoio, como o perfil no Instagram @omalqueeunaoquero. Essas comunidades estão cheias de pessoas que também lutam contra o vício, e podem compartilhar experiências e estratégias. É importante sentir que não se está sozinho nessa batalha.

Por fim, um ponto muito importante é que não se deve tentar “desmamar” da pornografia. Por exemplo: se a pessoa passa 10 horas do dia consumindo pornografia, agora passará 8, depois 6…; é necessária uma ruptura abrupta. As pastas secretas onde ela guarda os conteúdos, os sites em que acessa, os grupos em que recebe e compartilha esse tipo de conteúdo, tudo isso deve ser banido definitivamente.

Qual seria o propósito de Deus para a sexualidade humana e por quê a pornografia não se encaixa nele?

Deus idealizou o sexo para a reprodução, mas também para o prazer. Mas não um prazer solitário, ou que machuque, ou que prejudique a percepção de um sobre o outro. Deus pensou no sexo a dois, com prazer mútuo, respeito, cumplicidade, união e intimidade emocional. Na pornografia a gente percebe o contrário disso; percebe egoísmo, isolamento, vício, prazer estritamente físico, humilhação, infidelidade, culpa, do outro e a ideia de um prazer fácil, inclusive vindo de coisas bizarras que podem prejudicar o corpo e a saúde. Então, a pornografia é uma total distorção do ideal divino. E é isso que Satanás sempre faz: deturpa algo que foi um presente de Deus para nós.

Exposição precoce

Estudiosos reconhecem que as crianças são expostas à pornografia cada vez mais precocemente. Hoje, a média etária em que se tem o primeiro contato com conteúdo pornográfico é aos nove anos. Essa também é a idade aproximada em que as crianças costumam receber de presente o seu primeiro celular. Isso não é uma coincidência.

Segundo a psicopedagoga Glaucia Korkischko, iretora do Ministério da Criança e do Adolescente da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul, esse contacto precoce resulta da falta de acompanhamento por parte dos pais e da falta de conversas instrutivas sobre o tema. “Seja em família, na escola ou na igreja, as crianças gostam de brincar e ter atenção. Se tiverem boas atividades e um bom “papo”, não haverá interesse por perversões no campo sexual”. Por outro lado, os prejuízos desse tipo de conteúdo na mente infantil são imensos. “O maior deles é a distorção da realidade. A exposição à pornografia promove a erotização, e não a educação, e estimula performances abusadoras”, alerta Glaucia.

A ilusão da pornografia

No seu artigo sobre o tema, publicado na edição de 2015 da revista Quebrando o Silêncio, o jornalista Michelson Borges chama a atenção sobre um outro problema deste assunto: as sequelas físicas e psicológicas sofridas por quem atua na indústria pornográfica. Ele cita depoimentos de ex-actrizes pornô sobre o abuso, a humilhação e a violência que sofrem nas gravações, as doenças sexualmente transmissíveis que lhes acometem, além das mentiras que são obrigadas a contar com a sua actuação. Muitas delas acabam recorrendo ao uso de drogas e álcool para conseguir realizar as filmagens, o que as leva ao vício e todas as suas consequências. Já livres dessa realidade, hoje algumas dessas atrizes militam contra a indústria pornográfica, expondo as suas mazelas e apelando à população a não apoiar esse mercado com a sua audiência.

Uma questão espiritual

De acordo com o teólogo Rafael Rossi, “para os cristãos, o padrão de conduta sexual está estabelecido na Bíblia, e pode ser resumido em pureza de vida (1 Tessalonicenses 4:3; 1 Coríntios 6:13). O sexo é um presente de Deus para os seres humanos. Portanto, deve ser compreendido como algo especial e que exalta a dignidade humana. Por outro lado, a pornografia banaliza e vulgariza o sexo, além de criar uma ilusão que destrói as bases morais e espirituais. Os que consomem pornografia entram numa prisão pensando estarem livres”.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia posiciona-se, essencialmente, contra toda forma de abuso, violência ou comportamento que gera prejuízo físico, psicológico ou espiritual. É neste sentido que atua a campanha Quebrando o Silêncio, que a cada ano traz à tona uma temática diferente, alertando e instruindo a sociedade sobre esses problemas, e contribuindo com soluções. A edição de 2015 abordou, sobretudo, o tema da pornografia. Os materiais podem ser encontrados no site oficial da campanha.

Um vício como qualquer outro

A psicóloga e fisioterapeuta Eliane Melo costuma receber no seu perfil no Instagram depoimentos de internautas que sofrem os prejuízos do vício em pornografia. Faz parte do seu trabalho ajudar essas pessoas a solucionarem este e outros problemas relacionados à sexualidade sob a luz da Bíblia e da ciência. Em entrevista a esta reportagem, ela expressa as percepções que a sua experiência com esse público lhe trouxe:

Quais são as principais queixas apresentadas e que se relacionam com o vício em pornografia?

Existem alguns cenários. Considerando o público cristão, primeiro temos pessoas solteiras que usam a pornografia como recurso para dissipar a energia sexual. Elas têm a sensação de que, quando se casarem, irão canalizar naturalmente essa energia para a relação sexual com seus cônjuges. Isso é um engano, porque os prejuízos do consumo de pornografia são levados para dentro do casamento.

Aí vem o segundo cenário: pessoas casadas, que, geralmente, consomem pornografia desde antes do matrimônio e hoje não conseguem ser felizes sexualmente com seus cônjuges porque se acostumaram com o excesso de estímulo. Assim, aliado a problemas de desempenho sexual, elas vão perdendo o interesse nas relações reais.

Outros prejuízos estão no âmbito social. Para dar vazão ao vício, as pessoas se isolam, passam cada vez mais tempo reclusas, isso vai desencadeando quadros de depressão, ansiedade, comportamento irritadiço, e muitas pessoas acabam perdendo relacionamentos e até o emprego por conta disso.



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